Com a Saldanha, na avenida!

Na rua Saldanha Marinho, seguindo pela avenida Getúlio Vargas (Porto Alegre, RS)... desfila a incomparável Banda da Saldanha (fundada em 1978), embalando o carnaval dos porto-alegrenses adeptos da tríade “samba, churrasco e solidariedade”!

Bonito ver a Saldanha desfilando na avenida!

Não te acanha, deixa de manha e vem pra Saldanha!

www.bandasaldanha.com.br

De volta ao velho casarão!

De volta ao velho casarão

Havia dez, talvez quinze anos, que meu pai não pisava no velho casarão da Azenha - o Olímpico Monumental de guerra, sagrado território tricolor. Renato José Zanella, que tem nome de craque, esteve presente na inauguração do estádio, em 1954, acompanhou de perto gloriosas conquistas ao longo de décadas, e antes de se converter à faculdade de engenharia mecânica chegou a treinar entre os aspirantes do clube, sob o comando do técnico Glênio Reis (o "GR Show" - talvez o mais antigo radialista em atividade do estado). Conta o velho que, certo dia, o lendário Osvaldo Rolla, o "Foguinho", chamou-o num canto do gramado e deu-lhe o seguinte conselho: "Zanella, tu aqui estás apenas tirando o lugar de algum morto de fome que realmente precisa do futebol pra viver. Mete a cara nos livros, que o teu negócio é faculdade". Hoje, passadas muitas batalhas, o pai está aposentado, reside em Florianópolis, e no alto de seus 72 anos já não tem mais o gosto pela bola dos tempos de outrora.

A partida do último sábado, entre Grêmio e Ceará, efetivamente não tinha maior interesse para o tricolor. O clima de desmobilização se refletia nas arquibancadas vazias, mas nada disso iria estragar a festa. A presença paterna me enchia de orgulho e satisfação - nada mais importante para um guri de 40 anos do que retribuir à seu pai o gremismo que lhe fora injetado nas veias desde o berço!

Quando adentramos a geral, olhei para o gramado e lá estava Baltazar Maria de Moraes Junior - o "Artilheiro de Deus" -, sendo homenageado pelos incontáveis serviços prestados ao clube que lhe projetou. Foi quando o céu escureceu, minha pressão baixou e minhas pernas tremeram...

Eu então, subitamente, entrava num túnel do tempo, numa realidade paralela, e sem saber ao certo a razão, inexplicavelmente parecia ter voltado à infância... A arquibancada superior não mais existia - era como até meados dos anos 80, quando o anel ainda não estava completo. O placar estava novamente sendo operado com placas de reposição manual; no bar havia cerveja gelada, e os ambulantes vendiam whisky e conhaque - aproveitamos para tomar algumas doses, rememorando os clássicos Grenais dos anos 70, as conquistas internacionais dos anos 80 e 90, uma época realmente inesquecível, em que o tricolor era soberano no estado, e dirigentes e torcedores ilustres eram gente como a gente: Hélio Dourado, Fabio Koff, Paulo Santana, Camelinho (até mesmo a coloradíssima Terezinha Morango passou pro nosso lado).

O flashback seguia pela casamata, onde - acreditem! - estavam o mestre Telê Santana, o titio Fantoni, o cabeção Ênio Andrade, Espinosa, Felipão, Evaristo de Macedo; embaixo do paus, Manguita Fenômeno (que em 79 vestiu a tricolor), Leão, Mazaropi e Danrley acenavam para as arquibancadas, que agora estavam superlotadas; na linha de zaga, Ancheta, o caudilho De León, Baideck, Adilson - o "Capitão América", Rivarola e Arce, sentavam a porrada nos avantes adversários; na meia cancha, distribuíam a bola com elegância Iúra, Caju, Paulo Isidoro, Caio, Tita, China, Valdo, Dinho, Goiano, até o borracho Arílson estava presente; já no ataque André Catimba, Éder Aleixo, Tarciso - o "Flecha Negra", Baltazar, Renato Portaluppi, Paulo Egídio, Lima, Dener, Paulo Nunes e Jardel protagonizavam jogadas memoráveis que nos enchiam os olhos.

Sem acreditar no que via, viajava em meu imaginário, povoado por tantos ídolos que ali haviam escrito a história - era espectador de um Grêmio aguerrido e bravo, um time de craques que amassava o adversário sem piedade. A torcida, unida, fazia festa, tremulando faixas e bandeiras, entoando cânticos que celebravam a alma e a imortalidade que sempre foram a marca registrada do glorioso Grêmio Foot-ball Porto Alegrense!

Foi quando o juiz apitou o final da partida, e deu-se fim ao sonho delirante! Iniciava-se, então, um pesadelo macabro: na casamata estava Celso Roth, na zaga Rafael Marques e Saimon, no meio campo Adilson e William Magrão, no ataque André Lima e Miralles... entre outros perebas que nem valeria aqui citar. A torcida saía cabisbaixa, e vaias ecoavam em todos os setores do estádio. O Grêmio havia perdido o jogo para o ridículo Ceará, pelo placar de três a um!

Olhei para meu pai e ele havia envelhecido décadas. Mas, sei lá, parecia o mesmo gremistão do milênio passado... No meu peito, pulsava uma saudade dos bons tempos que infelizmente não voltam mais, quando todo domingo o velho enchia seu Opala de amigos e seguia rumo ao casarão da Azenha - tempo em que o Grêmio era o Grêmio que nós, gremistas de verdade, aprendemos a amar, respeitar e admirar. Nos olhamos rapidamente, um abraço fraternal nos envolveu, e, mais do que nunca, eu tinha uma certeza: pai, amigo de tantos caminhos, de tantas jornadas - valeu a pena! Obrigado por tudo, e pode apostar que ainda vamos comemorar muitas conquistas juntos...

Não sei quando meu velho voltará ao Olímpico, afinal de contas, em pouco mais de um ano o Monumental será apenas história. Mas, com certeza, para além da eternidade, o seu Renato terá as portas abertas neste consagrado templo do futebol - junto de outros milhares de gremistas que ajudaram a forjar, a ferro e fogo, a trajetória deste que, para nós torcedores, será para todo sempre o maior clube do mundo!

Com o Grêmio onde o Grêmio estiver! Assim é, e assim será...

I am what I am!

"Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além"!

Paulo Leminski Filho (1944 - 1989), pensador, escritor, poeta, curitibano, ser humano!

Arsenal Fútbol Club!

Arsenal Fútbol Club (Argentina, 1957): celeste y rojo!

Modelo Lotto, Esco / Zanella, 2011!

www.celesteyrojo.com.ar/

Y la vida?

La vida es una milonga...

y hay que saberla bailar!

Polícia em ação!

Parque da Redenção (Porto Alegre/RS), outubro de 2011!

Não tem pra chinelagem, pra malandragem, pra vagabundagem! Mentiu pro tio, contou pro vô, a casa caiu, a cobra fumou! Com Paulão e Zanella na área tá tudo dentro dos conformes da lei, e malandro demais vai curtir aquele velho e conhecido curso de canário!

Chinelo neles!

Fim de festa!

Fim de festa
Final Sports / Sob a Bênção da Imortalidade
Cristiano Zanella
02/12/2009

As reuniões dançantes foram a marca da minha geração. Sou do tempo em que os encontros de jovens (aniversários, festas de 15 anos) eram “disputados” nas garagens e salões de festas dos edifícios, vigiados de perto pelos apreensivos pais donos da casa, embalados por temas musicais executados em toca-discos de vinil portáteis, uma época que realmente traz boas recordações. As gurias de um lado, os guris do outro, esperando a música certa para tentar uma aproximação. Era final dos anos 70 (declínio da “disco music”, início do “pop”), e o que estava pegando eram lps como Discoteca Papagaio, Sua Paz Mundial, mais tarde Hit Parede, Flipper Hits, Vídeo Hits, trilhas de novelas – coletâneas com músicas lentas e dançantes (aqui pra nós, um “somzinho” bagaceiro, mas autêntico pra caralho). Os “amassos” eram meras beijocas que não duravam mais do que uma dança, mas causavam grande alvoroço no colégio ou entre os amigos da vizinhança. Faz tempo... Eram os anos 70, começo dos 80, uma época de sofrimento para os gremistas – eu estava mais interessado em reuniões dançantes, matinês no cine Ritz e em tentar afofar as garotas da minha escola!

Quando já passava das dez, onze da noite, e ia se aproximando o fim da festa, as poucas gurias que ainda estavam disponíveis na pista eram, geralmente, os encalhes da turma – traduzindo para uma linguagem do Campeonato Brasileiro, eram a Sulamericana e a Segundona! Título de campeão e Libertadores, que eram as gatas mais disputadas e desejadas (às vezes, secretamente), já eram... estavam em casa dormindo ou nos braços de um tipo qualquer. Zero a zero: um final melancólico para uma noite de expectativas. E eu ia voltar pra casa “invicto”... de novo!

Mas, como bom sonhador, “o último romântico” (na realidade, era uma baita de um punheteiro, um completo nerd), eu nunca deixava de acreditar que, subitamente, a garota que eu queria ia entrar no salão e caminhar na minha direção, quase que implorando pela próxima dança, uma música lenta, inesquecível, e eu ia entregar a ela todo meu amor juvenil – já era prorrogação, e eu prestes a marcar o “golden-gol”, consagrando a máxima que diz: “quem espera, sempre alcança”.

Que eu lembre, isso nunca aconteceu! E, na maioria das vezes, eu e os meus colegas idiotas acabávamos “agarrando o que tem”, provando e comprovando a versatilidade e desenvoltura do brasileiro na nobre arte da conquista amorosa! Ufa, a menina era feia, usava aparelho e não sabia dançar – um prêmio de consolação, mas vá lá: “a vida é assim mesmo, e amanhã vai ser outro dia”! Era então o início dos anos 80, e enquanto o Grêmio era açoitado, roubado pelo Flamengo, Baltazar Maria de Morais Júnior, o "Centroavante de Cristo", profetizava: “Deus está nos reservando algo muito melhor”!

O tempo passou, e este humilde tricolor que vos escreve sagrou-se multi-campeão de tudo, alcançou o topo do ranking, foi ao inferno e voltou! Torceu, gritou, sofreu, cantou e vibrou, ano após ano, até o último momento, e sobreviveu à pós-modernidade conservando – e aprimorando – o gosto pelo futebol e pelas mulheres (coisa rara em tempos de “diversidade”). Já adulto, viu a festa do Brasileirão 2009, como as velhas reuniões dançantes de garagem, começar bastante animada, com momentos de indefinição, aflição, desespero, quando finalmente, já quase sem esperança..., a sonhada garota chegou! Estava irresistível, como nos tempos de outrora... vestindo – acreditem – uma camisa do Flamengo (coincidência ou não, nosso arqui-rival dos anos 80)! Dançamos até o amanhecer, numa espécie de tributo aos bons tempos que, infelizmente, não voltam mais! Kool & the Gang, Carpenters, Nikka Costa, Earth Wind & Fire, Rita Lee, Carpenters, Barry White, Frenéticas, Peter Frampton, Ike & Tina Turner… Foi lindo!

Enquanto dançava, me dei conta que a festa do Brasileirão chegava ao seu final! O Flamengo era o Campeão Brasileiro 2009 – estava decretado! Podem me xingar, podem me bater, podem até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião! O Grêmio não irá entregar o jogo, é claro... irá perder mais uma partida longe do Olímpico, fato que em nada surpreende na atual temporada (uma extenuante rotina de derrotas fora). E, em tempo: a força que demos ao co-irmão já o coloca no seleto grupo de classificados à Libertadores 2010!

Assim sendo, conceito posto e bem entendido, visto que é claro e direto, sem rodeios, questionamentos ou possibilidades extra: parabéns, Flamengão! O título está em boas mãos! E, no domingo, todos os caminhos levam à avenida Goethe – é fim de festa e, mais do que nunca, é preciso “agarrar o que tem”: os vermelhos, comemorarão a vitória sobre o Santo André e a almejada vaga na Libertadores; nós, azuis, o Penta-vice vermelho (1987, 1988, 2005, 2006 e 2009 – ninguém é mais vice na história do Brasileirão)! É só alegria no Rio Grande! Abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia – a festa é nossa, e estão todos convidados: urubus, bambis, porcos e sacis! Mas, desta vez, é o mosqueteiro quem dança com a dona da festa!

Com o Grêmio sempre, cantando e encantando, até a última faixa do lado b!!!

www.finalsports.com.br

E tem outro jeito?

Mesmo com toda a fama, com toda a Brahma, com toda a cama, com toda a lama...

A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando...

A gente não tem cura!

Lutador-galã!

Enio Radamés Manganelli - "o lutador-galã" (1924 - 2011): goleiro do Grêmio (aspirante, anos 40), astro dos ringues (anos 50 e 60), protagonista do filme "Remissão" (José Picoral, 1951)!

Novos Zanellas!

Zanellaço 2006!

Comissão de frente formando com Lucas, Lininha, Laura e Jéssica! Ao fundo Guilherme, Raíssa e Dudu!

Salve a nova geração da gloriosa família Zanella - orgulho do Rio Grande, do Brasil e do mundo!